Sobre o projeto
Toda criança autista merece a terapia de que precisa, quando precisa.
O Mais Uma Peça nasceu da vida de uma família com uma criança autista e de uma pergunta simples: e as famílias que não conseguem pagar?
Por que comecei
Sou o Carlos, pai de um menino autista com nível 2 de suporte. Desde o diagnóstico, aprendi na prática o quanto a terapia muda a vida de uma criança, e o quanto ela custa. Fonoaudiologia, terapia ocupacional e psicologia, várias vezes por semana, pesam no orçamento de qualquer família.
Ao mesmo tempo, vi que a rede pública não dá conta: as filas são longas, e os planos de saúde muitas vezes negam o tratamento. Enquanto isso, o tempo passa, e nos primeiros anos ele vale muito.
Tive muitas ideias de projetos sociais que nunca saíram do papel por falta de recursos. Desta vez, resolvi começar pequeno e de um jeito que qualquer pessoa possa ajudar: uma peça de cada vez.
Quem é o Dani
O Dani é o mascote do projeto, e foi inspirado no meu filho. O cabelo com franja, os olhos grandes e o sorriso largo são dele. Os carrinhos que aparecem ao redor também: carrinhos são o hiperfoco dele, e ele passa horas com eles.
Quando perguntei como o mascote deveria se chamar, ele escolheu o nome. O Dani segura uma peça de quebra-cabeça porque representa todas as crianças que ainda esperam pela sua.
Como o projeto funciona
Cada criança ganha um quebra-cabeça de 24 peças. Juntas, elas pagam 6 meses de terapia, começando com 2 sessões por semana, cerca de R$ 6.240 no total. Quando a última peça entra, a terapia começa.
- Para quem: crianças e adolescentes autistas até 17 anos, de famílias no CadÚnico ou com renda de até 3 salários mínimos. As crianças menores têm prioridade, porque começar cedo faz mais diferença.
- Para onde vai o dinheiro: direto para a clínica parceira, todo mês, só pelas sessões feitas e com nota fiscal. Nunca passa pela família.
- Renovação: no quinto mês, a clínica envia um relatório de evolução. Se a terapia ainda for necessária, um novo quebra-cabeça é aberto.
- Direitos: muitas famílias não precisam de doação, e sim de alguém que mostre o caminho. Por isso existe o apoio jurídico, com guias, orientação e advogados voluntários.
- Transparência: tudo o que entra e sai aparece na página de transparência.
Onde estamos agora
O projeto começa com um piloto em Blumenau, SC, com poucas crianças, para aprender antes de crescer. Estamos formando a associação que vai administrar as doações e procurando clínicas parceiras, advogados e voluntários.
Se você quer fazer parte disso, veja como participar.
Por que uma peça de quebra-cabeça
A peça é um símbolo antigo do autismo e conversa com a ideia do projeto: cada doação completa um pedaço. Sabemos que parte da comunidade autista prefere o símbolo do infinito, e respeitamos isso. Para nós, a peça não fala de algo que falta na criança. Fala do que falta no apoio que ela recebe, e que juntos podemos completar.